
Engraçado como o tempo, o mesmo tempo marcado no relógio de pulso de todas as pessoas deste mesmo mundo, pode ser tão relativo, completamente pessoal, simplesmente único.
Ontem, conversando entre amigos, falando sobre infância, escola, nossos programas de TV favoritos, um deles me contou que quando era pequeno, o pai sempre alertou:
- O horário de ir para escola é sempre quando Jiraia – seriado de luta japonês da década de 90 - acabar.
De acordo com meu amigo, quando os créditos finais do programa começavam a subir, era hora de colocar a mochila no ombro e ir logo estudar.
Achei engraçadíssimo e pensei sobre como relativizamos nossa noção de tempo, sobre como aprendemos o nosso horário, sobre como algumas coisas servem para nos despertar, de repente.
Hoje -sábado- cedo, dia que achei que teria permissão pra acordar mais tarde, pela primeira vez algo aconteceu. Acordei como nunca tinha acordado: com o canto dos pássaros que brincavam perto da minha janela. Com esforço para abrir os olhos, alcancei o celular que dormia no criado mudo: eram 07:07 da manhã.
Há quem acorde com pássaros cantando cedo na janela do quarto. Sei que há quem goste.
Eu, porém, achando que deveria, merecidamente, dormir o máximo que pudesse neste sábado, fiquei quietinha, querendo pegar no sono novamente. Foi impossível. Tudo o que consegui foi ouvir os pássaros cantando para o dia que já tinha despontado, e então comecei a pensar sobre como escolhemos ser acordados.
Podemos escolher acordar para o dia, para todos os dias, prontos para viver o que este dia trouxer com ele. Podemos acordar e escolher ficar mau-humorados porque os pássaros atrapalharam nosso sono. Podemos dormir novamente, sem querer perceber que os pássaros estão cantando só para nós, sem nem notar que a manhã passa rapidamente, querendo virar tarde, desejando virar noite, antes que notemos.
Abri a janela e não vi os pássaros, mas sei que eles estiveram lá.
Acordei de fato, cedo assim. Escolhi a manhã, aproveitei o tempo. Talvez porque eu pense que ter que acordar, no meu caso, no seu caso, não seja um acaso.
Desejei a mim, desejo a todos, um ótimo fim de semana, de olhos acordados e atentos ao tempo, preciso em cada acaso.