
Querendo fechar o mês, sem querer abrir feridas - e não tendo como - pensei em contar que hoje, dia 31 de julho, seria aniversário da minha avó, falecida há 11 anos.
Todo mês de julho, férias na casa dela. Nesse mês, ela começava, e seguia, até o dia 31, perguntando:
- Será que esse mês tem 31? – esperando que não tivéssemos esquecido do aniversário que vinha caminhando devagar.
Aquele mês tinha 31.
Mas ela se foi, e desde então, todos os meses para mim, tem tido 31...
31 razões para eu querer que ela tivesse me visto quando passei no vestibular, 31 razões para eu querer que ela conhecesse meu primeiro namorado, 31 razões para querer compartilhar com ela do meu primeiro emprego, 31 motivos para querer mostrar a ela cada sapato novo - ela amava sapatos, como eu -, 31 razões para comer as comidas que ela fazia tão bem, que eu amava, e ainda amo. Eu tinha, e tenho 31 motivos para acreditar que minha avó não poderia ter ido assim, tão cedo.
Hoje é dia 31. São onze anos de saudade, foram 14 de convivência, e o mês 12, dezembro, morreu, com ela, quando ela nos deixou.
Entre tantos números, me pergunto se julho terá sempre 31.
Porque se houver, e acho que vai ter, ela não precisa ter medo de ser esquecida.
Agora, se não houver, gostaria de dizer a ela que ela ainda tem e sempre terá, os meus 364.



